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Yoga para a realização de si mesmo
Yoga para a realização de si mesmo
28/07/10
Foi um contraste sair de duas experiências de imersão cultural na Índia e chegar como um “clássico” turista na Indonésia. Aterrissamos no arquipélago com bem menos planos e expectativas, para ver no que ia dar, empolgados por continuar viajando pelo belíssimo Sudeste Asiático mas incertos do que encontraríamos. Nova cultura, novo povo, nova história, no entanto a surpresa estava em detalhes curiosamente familiares: um país jovem, com passado de colonização européia, saindo de uma recente ditadura após golpe militar, feito de culturas tão diversas quanto a imensa extensão de seu território e de povos indígenas lutando contra a extinção de suas tradições e a invasão de suas terras. Parece com algum lugar que você conhece?
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10/07/10
Antes de chegar em Auroville eu achava que passar dois meses morando e trabalhando nesta peculiar cidade seriam suficientes para conhecê-la e saber do que se tratava, no mínimo ter uma boa idéia sobre ela. Felizmente a complexidade humana superou quaisquer expectativas minhas, e chegar nesse lugar sem esperar nada é muito difícil. A cidade do amanhecer, como também é chamada, foi fundada com o propósito de realizar a unidade humana neste mundo, de ser o laboratório para atingir este ideal. Como disse uma amiga nossa que já mora lá há quase um ano, muita gente chega com uma visão cor-de-rosa deste ambicioso projeto apenas para ter uma pílula de realidade engolida à força. “Perfeita” não é um sinônimo que se encaixa na descrição da cidade, mas eu diria que “muito interessante” chega bem perto.
20/06/10
Um dos detalhes que parece marcar a cultura indiana aos olhos ocidentais e, consequentemente, traz consigo a maior dose de curiosidade é o assunto das diferenças, sejam elas estabelecidas nas relações entre castas ou entre os papéis dos homens e das mulheres. Como já comentei em outra página do diário, não poderia falar com autoridade sobre todo o subcontinente, então vou discorrer sobre minhas experiências após viver por três meses e meio imerso nesse contexto. As respostas, como muitas vezes vieram a mim por aqui, são menos óbvias e aparentes do que os estereótipos nos fazem crer.
11/05/10
Ser tratado como turista na Índia é inevitável para qualquer um que não tenha cara de indiano e que não conheça uma das línguas locais. Comecei a aprender um pouco de Hindi, a língua comum ao norte do país, mas agora que estamos em Tamil Nadu, no sul, não consigo ler nem entender mais nada. Mesmo quando estou vestido como os locais não engano ninguém: ter quase 1,90m de altura já é exótico o suficiente para os padrões daqui, sem nem citar a cor da pele, os traços faciais, o cabelo comprido, as tatuagens… precisei também aprender rapidamente o peculiar jeito indiano de balançar a cabeça para os lados, esse sim feito em todo lugar, pois sua falta durante a conversa logo lhe denuncia como um novato na cultura. É preciso se acostumar com seu uso, pois apesar de parecer um sinal negativo é muito usado para concordar, para saudar, mas nem sempre, pois pode significar nem sim nem não. Isso é só um exemplo de como algumas vezes é difícil “ler” as reações das pessoas aqui, é outro detalhe que torna a convivência um desafio interessante.